quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Lonely as I am, together we cry

E faz calor. Calor insuportável, sufocante, que amortece meus sentidos e lentifica minhas reações. Meus olhos não se levantam, sem força e com medo de cruzarem e não se conterem. Faz frio e tudo congela. Os olhos da vizinha me dissecam. O que ela sabe? O que ela sente? O que ela espera?
O elevador no nosso andar. E eu me apavoro. Eu ando e ando, não sei como, a gravidade pesa 30 G. A rua é habitada por um povo estranho que não sabe minha língua. Eu sento. Na calçada, no ponto de táxi. As canetas se escondem dentro da minha bolsa e só acho uma marca-texto. Marcarei e sublinharei, grifarei fortemente os trechos mais importantes. Para eu mesma, única atriz, única espectadora do meu próprio monólogo.
Eu falo. As palavras saem da minha boca e eu me surpreendo com a minha máquina. Meu discurso tão automático, tão frio, tão longe do que sinto e tão perto. Versos bregas, soltos e mal feitos me vêm à mente. Não sinto força para lutar contra eles. Faz frio, faz muito frio.

Um comentário:

Bruno disse...

Caralho!
Éxcelentis!